IPEF NOTÍCIAS 194 - Setembro/Outubro de 2008
Do ponto de vista sociológico, a Integração corresponde a um ajustamento recíproco de modo a formar uma sociedade organizada e cada parte procura se identificar com os interesses e objetivos mútuos. A integração universidade-empresa só acontece se respeitada esta regra e se for possível harmonizar as eventuais posições antagônicas ou conflitantes. Depreende-se do exposto que a premissa básica da existência da integração envolve a aproximação de grupos diferentes e que se propõem a trabalhar por metas e objetivos comuns.

O IPEF, na sua concepção primeira, foi criado para exercer esta função catalisadora entre a Universidade de São Paulo e algumas poucas empresas do setor florestal brasileiro. Após 40 anos, se constitui num dos principais exemplos de ação integradora aberto a outras universidades do Brasil e do exterior, congregando 25 empresas associadas e algumas não associadas através de programas cooperativos. São exatamente estes programas que otimizam o envolvimento de recursos humanos, materiais e financeiros.

De outro lado, Interação compreende a somatória de ações e de relações executadas entre os membros de um dado grupo, ou mesmo, entre grupos dentro de um mesmo segmento da sociedade. Muitas vezes a interação se resume numa troca de informações e influências recíprocas entre os membros do grupo que, pelo tipo de atividade ou objetivos, já estão naturalmente inter-relacionados. É o que ocorre, de forma espontânea, entre os departamentos de uma dada faculdade ou empresas de um dado setor produtivo.

O IPEF, na sua concepção segunda, foi idealizado para racionalizar esta ação entre as empresas associadas. Esta interação, que acontece naturalmente entre as empresas do setor florestal através de associações e sindicatos, no IPEF é potencializada. Se a mesma for intensa e produtiva, além dos benefícios mútuos decorrentes, contribui para uma evolução e aperfeiçoamento da integração universidade-empresa. Em outras palavras, assuntos e questões do dia-a-dia são resolvidos pelas partes envolvidas e a universidade é chamada para colaborar na resolução de problemas de ponta. Como resultante natural, à
universidade é reservada sua natural missão de geração de novos conhecimentos e procura não se envolver na prestação de serviços que podem levar à competição (desleal, por sinal) com empresas ou profissionais habilitados do mercado.

As resultantes dessas ações se traduzem numa gama diversificada de informações disponibilizadas tanto no meio acadêmico como empresarial. Na academia prevalecem nas teses de doutorado, mestrado, trabalhos publicados em eventos e revistas científicas.

No meio empresarial, os principais resultados são levados à sociedade através de material institucional e de divulgação. Em ambos, de forma associada, as informações mais recentes são relatadas em eventos como congressos, workshops, seminários, reuniões técnicas, etc.

De uma forma ou de outra, os resultados são de domínio público e a competência para utilização dos mesmos fará o diferencial para o sucesso do empreendimento. Em outras palavras, o que vale não é o que se sabe, mas a competência para utilizar esse conhecimento.

Decorrência disso, é observada uma grande preocupação das empresas do setor florestal em valorizar a formação, aperfeiçoamento e reciclagem de seu recurso humano. Em parte, isso explica o sucesso que vem sendo conseguido na pesquisa, desenvolvimento e crescimento do setor florestal brasileiro, o que tem causado admiração e inveja de outros
países tradicionais produtores de madeira e derivados.

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